11 mães falam abertamente sobre a sensação de amamentar seus filhos

Crédito da imagem: Getty
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Embora a amamentação seja algo tão remoto, a sensação pode parecer estranha no começo, e pode inclusive doer. Entre mamilos rachados, dificuldades com a pega, leite demais ou pouco leite, a amamentação também leva à ansiedade. Seu bebê pode ter nascido, mas as mudanças no seu corpo ainda não acabaram. A seguir, 11 mães explicam como é a sensação de amamentar.

  1. “Quando o leite começou a descer, tive nos meus seios a mesma sensação que meu estômago tem, quando desço numa montanha-russa. Parecia que um dervixe (muçulmano religioso) dançava e rodopiava do topo do meu peito até os mamilos – aquela sensação que temos quando o pé fica dormente. A amamentação também me deixava com muita sede (durante e depois), então eu tomava bastante água”. Zlata, 35 anos

  2. “Amamentar é como uma obrigação, 24 horas por dia, sete dias por semana, na qual estou à mercê dos meus seios. No final das contas, eu me comprometi a sacrificar o meu conforto pelo bem-estar do meu filho. Eu não sei como alguém pode ficar ofendido com um verdadeiro milagre como a amamentação. Eu tento ser respeitosa quando estou em público, mas honestamente pouco me importa se alguém se sente desconfortável. Esta é uma conquista da qual tenho muito orgulho. Como mulher negra, amamentar muitas vezes parece um privilégio. Eu costumo procurar informações [sobre a amamentação], mas as páginas e hashtags geralmente estão cheias de mulheres que não se parecem comigo. Somente quando eu altero a minha busca para incluir a palavra “negra”, os resultados começam a fazer mais sentido para mim. Uso as minhas redes sociais como uma fonte de recurso para outras mulheres que não se sentem representadas. Quando eu amamento meu filho em público, ou procuro grupos aos quais posso me juntar, muitas vezes ouvi palavras de piedade, choque, surpresa, ou conselhos condescendentes de outras mulheres. Muitas vezes eu me sinto estranha e convivo com uma certa pressão para ser uma espécie de “garota propaganda” para mulheres negras que são “como você” e também amamentam seus filhos. É fundamental que isso seja normalizado, porque ao longo desta jornada, descobri que a maioria das pessoas é muito mal informada”. Gabrielle, 27 anos

  3. “Parece brega dizer isso, mas amamentar é realmente uma forma maravilhosa de criar um vínculo com o seu bebê. Há, é claro, algumas partes difíceis: como a dor da amamentação, a luta para que o bebê pegue o mamilo corretamente, ou não conseguir produzir leite suficiente. É muito frustrante quando o bebê não está conseguindo fazer a pega correta. Eles ficam com fome, choram, e você sabe que tem a solução, mas a boquinha deles não sabe o que fazer. Ou então eles se distraem, soltam o peito e recebem um jato de leite no rosto! É uma mistura de frustração, tristeza, raiva, e depois um alívio maravilhoso quando eles entendem o que fazer – todas as emoções juntas! Outra surpresa da amamentação: tudo que eu tenho está coberto por uma camada de leite materno: roupas, móveis, etc. Eu tive muito leite, então quando ele começou a descer, saía literalmente um jato do meu peito. Era uma corrida para fazer o leite chegar ao bebê”. Madeline, 31 anos

  4. “No começo parecia que a minha pele estava sendo rasgada, e doía muito. É como se a sua pele estivesse coberta de feridas abertas, em carne viva (não está, mas parece que sim) e fosse lixada com uma lixa. Mas depois de mais ou menos uma semana, começa a ficar bom! Especialmente quando algumas horas já se passaram e o seu bebê está pronto para mamar outra vez – ou se faz muito tempo e você está se sentindo ‘cheia’, é até um pouco prazeroso. É quase como quando você finalmente consegue fazer xixi depois de segurar por muito tempo. Você sente a pressão se aliviando. Honestamente, foi chocante ver como algo tão doloroso poderia simplesmente parar de doer tão rapidamente”. Alessandra, 29 anos

  5. “Eu lembro claramente que queria chorar na segunda noite porque meus mamilos estavam muito sensíveis e formigando. Meu bebê queria mamar sem parar, mas aquela sensação de formigamento estava revirando o meu estômago. Não era exatamente uma dor, mas sim um desconforto, e meu reflexo era querer eliminá-lo, mas eu tinha um bebê chorando. Depois de duas semanas, senti que meus mamilos ficaram menos sensíveis e a amamentação passou a ser confortável e prazerosa. A partir de uma perspectiva emocional, eu gostava de me sentar com a minha filha e aproveitar aquele tempo para acariciá-la e alimentá-la. Fisicamente a sensação é de um puxão suave e gentil, bastante relaxante. Depois de algumas semanas, nós conseguimos manter um ritmo confortável. O parto e a amamentação podem parecer um pouco invasivos. Você tem o conflito do seu corpo não ser só seu, e do amor que sente pelo seu bebê. Mentalmente você quer amamentar, mas eu acho que leva um tempo – pelo menos na primeira vez – para o seu corpo se acostumar com a parte física das coisas”. Lucy, 27 anos

  6. “Meus mamilos ficaram extremamente inchados na primeira semana, quando meus bebês estavam aprendendo a pega. Os momentos de dor nos estágios iniciais também foram momentos de vínculo e união. Eu me lembro claramente de ver meus bebês olhando para mim enquanto mamavam. Por outro lado, as lembranças que tenho de quando dei mamadeira, não são tão vívidas. Eu também me tornei muito mais consciente de como as minhas ações afetavam diretamente os meus filhos enquanto eu os amamentava. Nunca vou me esquecer de quando o pediatra da minha filha falou que eu não poderia mais comer pizza porque o molho de tomate estava irritando o estômago dela. Foi um momento que me fez perceber o quanto eu estava conectava com meus bebês, e que até as minhas escolhas alimentares tinham um papel no bem-estar deles”. Erica, 33 anos

  7. “Para falar francamente, no começo eu detestava amamentar. Meus mamilos estavam sempre inchados e em carne viva. Três dias depois de dar à luz, meus seios ficaram muito inchados e duros. Aquilo, de certa forma, foi mais doloroso do que o parto em si. No parto, pude tomar anestesia, mas não havia nada que pudesse aliviar aquela sensação nos seios. As pessoas recomendavam banhos quentes ou a bomba de tirar leite para aliviar a pressão. A realidade é que eu só precisava deixar a dor passar. Quando consegui regular o meu fornecimento mantendo um ciclo de mamadas e retiradas com a bomba, tudo começou a ficar mais confortável. Eu usava uma manteiga para mamilospara obter alívio, o que ajudou a acalmar e amenizar as rachaduras nos mamilos, mas depois de seis ou oito semanas, não havia mais necessidade”. Dara, 34 anos

  8. “Eu tive problemas para amamentar quando cheguei em casa, após dar à luz no hospital. Meus mamilos racharam e a amamentação era muito dolorosa. Eu queria muito desistir, mas estava determinada e agendei um encontro com uma consultora de amamentação. Aquilo fez muita diferença. Quando você está amamentando corretamente, não sente nada – você nem sente o leite saindo do seu seio. O bebê está sugando, mas não há dor. Você só olha para baixo e vê um bebê atrelado ao seu seio”. Jenelle, 28 anos

  9. “Geralmente, se eu não estiver prestando atenção, não sinto nada, a não ser que ela puxe o rosto repentinamente. Quando os bebês puxam o mamilo enquanto estão mamando, dá uma sensação como se ele tivesse sido beliscado por um zíper, por um segundo. A dor não é persistente, então assim que ela larga o peito, não há mais sensação. Além disso, quando você se acostuma, quase não dá para notar que o bebê está sugando, especialmente alguns segundos depois da pega correta. Eu sei que algumas pessoas não conseguem sentir o leite descendo, mas no meu caso parece que alguém está empurrando um quadrado com pontas afiadas por um tubo redondo por alguns segundos, com o tubo representando meus dutos mamários. A dor não é no mamilo, é como se fosse no interior do seio, mas dura apenas um segundo. Eu ainda vazo constantemente e sempre sei quando está começando porque tenho aquela sensação estranha”. Caitlin, 29 anos

  10. “A primeira vez em que o bebê pega o peito, é uma das coisas mais dolorosas que você vai experimentar na vida. As gengivas dos bebês são fortes, mesmo que eles não tenham dentes. Há um inchaço inicial, mas depois ele se alivia e você entra no ritmo. A descida do leite é exatamente como o nome: a sensação de um jato e depois de esvaziamento. Eu gostava daquele período sozinha com meus bebês quando eu amamentava e éramos só nós. Precisei me esforçar para não fazer outras coisas (é muito tentador) e focar a minha atenção unicamente naquela pessoinha olhando para mim”. Kaamna, 38 anos

  11. “Para algo que supostamente é tão natural, foi uma das coisas mais difíceis que já fiz. Quando eu descobri a razão pela qual meu filho não estava fazendo a pega correta, comecei a tirar o leite com a bomba para alimentá-lo exclusivamente com a mamadeira. Eu me sentia uma vaca leiteira. A pressão da bomba é desconfortável, e a sensação era de que eu estava presa a uma máquina, durante horas. Uma mãe que esteja alimentando seu filho exclusivamente usando a bomba, precisa tirar leite pelo menos oito vezes ao dia. Aquilo também me deixava estressada: qual foi a minha produção? Quantos mililitros? Por que tirei 30 mililitros a menos do que ontem? Por que meu seio direito é tão preguiçoso? Estes pensamentos passavam pela minha cabeça o tempo todo. Amamentar é uma montanha-russa emocional, mas vale muito a pena”. Suzanne, 28 anos

Carina Hsieh

Cosmo

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