10 séries que mudaram tudo em 2020

Natália Bridi
·10 minuto de leitura

Um pouco de entretenimento sempre foi essencial para a saúde mental, mas em 2020 a janela aberta por filmes e séries se tornou imprescindível para “arejar” a realidade nos meses de isolamento e incerteza. Para a indústria, foi um ano de mudanças significativas: os serviços de streaming encontraram ainda mais espaço enquanto estúdios de cinema e exibidores lutam para se ajustar a uma nova realidade. Nesse contexto, foi um ano bastante rico para as séries, com produções que, além de se destacar, criaram novas tendências de narrativa.

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A seguir, listamos alguns dos títulos que trouxeram um pouco de ar fresco para quem está fechado em casa.

1- I May Destroy You

1 temporada (12 episódios), disponível no Brasil pela HBO Go.

Michaela Coen em 'I May Destroy You' (Foto: Divulgação)
Michaela Coen em 'I May Destroy You' (Foto: Divulgação)

Longe de ser um passatempo, a série escrita e estrelada por Michaela Coel para a HBO é uma bem-vinda e dilacerante reflexão. Muito se falou de como 'I May Destroy You’ é baseada na experiência traumatizante do estupro sofrido pela atriz e roteirista enquanto trabalhava em 'Chewing Gum’ (título da Netflix que catapultou seu trabalho), mas a série vai além desse relato difícil.

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Enquanto o trauma está no centro da trama, Coel estabelece ao seu redor uma meditação profunda sobre empatia. Seu objetivo não é criar um argumento definitivo, mas questionar verdades e ações. Nesse estudo das contradições do mundo é possível encontrar um pouco de paz, mesmo depois de uma tragédia.

2- Schitt's Creek

6 temporadas completas (80 episódios), disponível no Brasil pelo Paramount+.

Schitt's Creek demorou seis temporadas para estourar (Foto: Divulgação)
Schitt's Creek demorou seis temporadas para estourar (Foto: Divulgação)

Depois de seis anos no ar, a série criada por Dan e Eugene Levy caiu nas graças do público justamente na sua última temporada e foi o grande destaque do Emmy 2020 (foram 15 indicações e 9 estatuetas, incluindo Melhor Comédia). A trama acompanha uma família rica que perde tudo e precisa trocar Hollywood pela pequena Schitt's Creek, cidade que haviam comprado como uma piada em tempos mais abastados. Ao longo das temporadas, a piada evolui para uma grande lição sobre amor e como uma vida próspera não está apenas conectada ao dinheiro.

Além de proporcionar algumas necessárias risadas durante a pandemia, Schitt's Creek mostra como o caminho para a criação de um sucesso mudou. Rejeitada por HBO e Showtime, a série encontrou uma casa no modesto Pop TV e ganhou público com o tempo, pelo boca-a-boca dos fãs.

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3- Cobra Kai

2 temporadas (20 episódios), disponível no Brasil pela Netflix.

Outra série “antiga” que ganhou público durante a pandemia. Lançada em 2018 e exibida pelo selo de conteúdos originais do YouTube, a continuação das histórias da franquia Karatê Kid só explodiu quando chegou na Netflix. A proposta da série mistura nostalgia com a nova cultura pop (usando o argumento surgido no episódio "The Bro Mitzvah" de How I Met Your Mother, em que o personagem Barney Stinson afirma que Johnny Lawrence era o verdadeiro herói de Karatê Kid), resultando em uma estrutura que agrada velhos fãs e conquista novos.

Com uma terceira temporada prevista para 8 de janeiro de 2021 e um quarto ano já encomendado pela Netflix, Cobra Kai é mais um exemplo de como os moldes do sucesso mudaram com os streamings, por mais que isso ainda não seja regra na indústria — a própria Netflix, por exemplo, ainda usa a resposta imediata do público como termômetro para renovar ou não as suas produções.

A Máfia dos Tigres (Tiger King)

1 temporada (7 episódios + extra), disponível no Brasil pela Netflix.

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Sucesso no início do período de quarentena, 'A Máfia dos Tigres' espanta: por mais estranhos que sejam, seus personagens são pessoas reais, com problemas reais com a polícia. A série documental mostra o submundo dos criadores de animais selvagens, com destaque para Joseph Maldonado-Passage, o Joe Exotic, e seus muitos tigres criados em cativeiro. Nos sete episódios (além de um especial que mede o impacto do programa), a produção foca no embate entre Joe e a ativista Carole Baskin (que por sua vez é apontada como suspeita pelo desaparecimento do seu primeiro marido), além de mostrar um casamento triplo, um jacaré explosivo e, claro, um plano de assassinato.

Lançada em março sem alarde, a série tomou conta das redes sociais nos EUA. Além do claro apelo do subtítulo Murder, Mayhem and Madness (algo como Assassinato, Caos e Loucura), muito desse sucesso se deve ao carisma inesperado de Joe Exotic, pelo qual os diretores Rebecca Chaiklin e Eric Goode constróem uma narrativa envolvente, calculada para intrigar o espectador com muitas reviravoltas.

O sucesso levou a inúmeros projetos de adaptação para ficção, incluindo um filme que seria produzido por Ryan Murphy e estrelado por Rob Lowe, uma série estrelada por Nicolas Cage e outra focada em Carole Baskin que seria produzida e estrelada por Kate McKinnon.

5- Arremesso Final (The Last Dance)

1 temporada (10 episódios), disponível no Brasil pela Netflix

Coprodução entre a ESPN e a Netflix, a série documental foca na carreira de Michael Jordan e a sua última temporada no Chicago Bulls. Dirigida por Jason Hehir, é um exemplo de como uma boa narrativa por extrapolar qualquer barreira de nicho, criando uma história atrativa mesmo para quem não entende nada sobre basquete. Com cenas inéditas, gravadas entre 1997 e 1998, o documentário intercala entrevistas atuais com imagens do passado para estabelecer uma grande balança da passagem do tempo. A edição cuidadosa reproduz a emoção dos jogos e elabora um poderoso retrato da carreira de Jordan, passando também por outros nomes fundamentais como Scottie Pippen, Dennis Rodman, Steve Kerr e o técnico Phil Jackson.

'Arremesso Final’ recebeu algumas críticas pelo envolvimento de Jordan na produção, mas o retrato do jogador não é chapa-branca, por mais que o recorte da história seja bem definido. A série mostra um personagem complexo e obcecado, longe de ser uma figura idealizada, por mais que essa seja a sua versão da história.

6- The Boys

2 temporadas (16 episódios), disponível no Brasil pelo Amazon Prime Video.

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Depois de uma boa temporada de estreia em 2019, 'The Boys' mudou sua estratégia para o segundo ano, o que resultou em um sucesso do Amazon Prime Video capaz de ameaçar a soberania da Netflix entre as séries mais vistas. A decisão do showrunner Eric Kripke de lançar semanalmente os episódios da segunda temporada visava evitar o consumo rápido da série, mantendo-a relevante por mais tempo. Muitos fãs não aprovaram a decisão, mas o resultado final comprova que a tática funciona: entre 4 de setembro e 9 de outubro, quando foi ao ar o último capítulo da temporada, a série foi assunto entre o público.

Além do lançamento semanal, a série contou com uma temporada carismática e relevante, levando para a adaptação da HQ de Garth Ennis e Darick Robertson discussões sobre a ascensão da extrema direita pelas redes sociais e também da manipulação comercial de pautas importantes como feminismo e direitos LGBTQ+.

7- Lovecraft Country

1 temporada (10 episódios), disponível no Brasil pela HBO Go.

Lovecraft Country (Foto: Divulgação)
Lovecraft Country (Foto: Divulgação)

Entre tantas discussões sobre como tratar obras que se revelaram problemáticas com o passar do tempo (ainda que seus erros já fossem graves na época do seu lançamento), 'Lovecraft Country' subverte o racismo presente nas criações de H. P. Lovecraft para contar uma história sobre discriminação nos EUA pelas lentes do horror e da ficção científica.

Com um elenco poderoso — incluindo Jonathan Majors, Jurnee Smollett, Aunjanue Ellis, Wunmi Mosaku e Jada Harris —, a série, que tem entre seus produtores J.J. Abrams e Jordan Peele, mistura monstros, fantasmas, viagens pelo tempo, espaço e magia, mas não perde o foco no comentário sobre raça nos Estados Unidos.

Essa abordagem se dá não apenas ao contar a história do racismo do país (a trama se passa no período da segregação), mas pela elevação dos seus personagens, heróis já acostumados a lidar com monstros, tenham eles tentáculos ou não. Uma série que se torna ainda mais especial em um ano marcado por tragédias como a morte de George Floyd, que formou uma onda internacional de protestos.

8- O Gambito da Rainha

1 temporada (7 episódios), disponível no Brasil pela Netflix.

'O Gambito da Rainha' (Foto: Divulgação)
'O Gambito da Rainha' (Foto: Divulgação)

Outro exemplo de como é impossível prever o que vai se tornar um sucesso absoluto na era do streaming, O Gambito da Rainha se tornou a minissérie de ficção mais vista desde a criação da Netflix. Foram mais de 62 milhões de assinantes pelo mundo maratonando a história sobre o prodígio do xadrez Beth Harmon (Anya Taylor-Joy) em seus primeiros 28 dias na plataforma, perdendo apenas para A Máfia dos Tigres, que conquistou a atenção de 64 milhões de assinantes no mesmo período.

Com personagens carismáticos e uma trama curta e ágil, a série chegou a renovar o interesse por xadrez. Desde seu lançamento, as buscas por "como jogar xadrez" duplicaram no Google e o livro de Walter Tevis, que serve de base para a série e foi lançado em 1983, voltou a figurar na lista de best sellers do New York Times. Além disso, as buscas por tabuleiros de xadrez no eBay aumentaram 250%.

9- The Crown

4 temporadas (40 episódios), disponível no Brasil pela Netflix.

A estreia da quarta temporada da já prestigiada 'The Crown' chegou em um dos momentos mais aguardados da história da família real britânica: a chegada de Diana. Interpretada por Emma Corrin, a princesa ganhou um retrato sensível, enquanto a série também aborda um período complicado da política no Reino Unido durante a administração de Margaret Thatcher, vivida por uma inspirada Gillian Anderson.

Com atuações cuidadosas e uma direção impecável, o seriado sofreu algumas críticas por suas imprecisões históricas (ao mesmo tempo em que o governo britânico pedia que a série viesse com um aviso de “ficção”), mas a intenção da narrativa criada por Peter Morgan nunca foi ser documental. The Crown é um recorte sobre uma nação de muitas contradições e, embora explore a intimidade da família real, está longe de ser sustentada pela fofoca. Cada vez mais próxima do nosso presente, serve como uma reflexão sobre como viemos parar aqui e o que precisamos fazer para mudar os rumos dessa história.

10- O Mandaloriano

2 temporadas (16 episódios), disponível no Brasil pelo Disney+.

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Carro-chefe do Disney+ desde seu lançamento, 'O Mandaloriano’ também é hoje a grande salvação da franquia Star Wars. Pelo comando de Jon Favreau e participação ativa de Dave Filoni (o responsável por Clone Wars e Star Wars Rebels), a série se destaca por recuperar as referências e o espírito de aventura que diferenciavam a criação de George Lucas de outras produções de ficção científica lá em 1977.

Na sua segunda temporada, mostra que é muito mais do que a fofura de um de seus protagonistas (que sempre será conhecido como Baby Yoda), com uma narrativa que sabe explorar a rica mitologia dessa galáxia muito distante sem perder o foco no público — elementos das animações e do universo expandido são resgatados, mas as referências não são gratuitas. A série também se destaca pelo visual, com efeitos visuais que se tornam cada vez melhores, ao mesmo tempo em que mantêm um toque vintage à estética do programa.

Como novos episódios sendo lançados semanalmente, a produção também confirma que essa estratégia funciona para manter um título em destaque, sendo assunto desde outubro, quando a segunda temporada chegou ao Disney+.

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