Representatividade importa! 10 momentos LGBTQ+ nas novelas brasileiras

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10 momentos gay nas novelas brasileiras (Foto: Reprodução/TV Globo?Lourival Ribeiro/SBT)
10 momentos gay nas novelas brasileiras (Foto: Reprodução/TV Globo?Lourival Ribeiro/SBT)

Por Felipe Gomes (@dominiopop)

Como um adolescente LGBTQIA+ dos anos 2000, seria impensável ver um casal de homens ou mulheres se beijando ou temas pertinentes para a comunidade sendo debatidos na novela das oito - na época, a atração da Rede Globo realmente começava na faixa das 20 horas -, a atração de maior audiência na televisão brasileira.

Personagens LGBTQIA+ sempre existiram nas telenovelas. O primeiro deles foi Rodolfo Augusto, interpretado por Ary Fontoura em Dancing Days, lá em 1978. Porém, grande parte deles traziam uma figura caricata, o que nem sempre representa o que é ser parte da comunidade.

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Os tempos mudaram. Temas como transfobia, inclusão e beijos calorosos entre LGBTQIA+ estão se tornando cada vez mais comuns nos folhetins - e que bom, né? Por aqui, a gente te mostra 10 momentos e personagens primorosos LGBTQIA+ nas novelas pra ficar sempre em nossa memória. Será que você se lembra de todes?

Romance de Rafaela (Alinne Moraes) e Clara (Paula Picarelli) - "Mulheres Apaixonadas" (2001)

Rafaela (Alinne Moraes) e Clara (Paula Picarelli)  em
Rafaela (Alinne Moraes) e Clara (Paula Picarelli) em "Mulheres Apaixonadas" (2001) (foto: TV Globo/Reprodução)

No início dos anos 2000, a Rede Globo ainda estava pisando em ovos sobre inserir pessoas LGBTQIA+ nas novelas. Porém, o romance entre as adolescentes Rafaela e Clara acabou bem aceito pelo público. Na época, uma pesquisa feita pelo jornal Folha de S. Paulo mostrou que as pessoas que acompanhavam a trama apoiavam o relacionamento, mas não gostariam de ver um beijo na boca entre elas.

Até hoje, mulheres lésbicas na faixa dos 30 anos citam a importância de assistirem, quando novas, ao debate em rede nacional, na principal telenovela da emissora.

Ramona (Claudia Raia), a primeira mulher trans das novelas, "As Filhas da Mãe" (2001)

Ramona (Claudia Raia), a primeira mulher trans das novelas,
Ramona (Claudia Raia), a primeira mulher trans das novelas, "As Filhas da Mãe" (2001) (Foto: Reprodução/TV Globo)

A personagem foi a primeira mulher trans a ser retratada em telenovelas. A personagem de Claudia Raia era a filha mais velha de Lulu (Fernanda Montenegro) e Fausto Cavalcante (Cláudio Lins, na primeira fase, e Francisco Cuoco, na segunda). Após viajar à Paris por conta do trabalho, ela volta ao Brasil e se assume transgênero à família. No quesito relacionamento, a trama abordou a transfobia sofrida por Ramona pelo homem que ela se apaixona, Leonardo (Alexandre Borges).

O beijo censurado de Junior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro) - "América" (2005)

Novela
Novela "América" e o beijo censurado (Foto: Reprodução/TV Globo)

A história de amor entre Junior e Zeca na novela "América" foi recheada de muita expectativa. Na época, era anunciado na imprensa que os dois iriam protagonizar o primeiro beijo gay da história das novelas da Rede Globo. O momento foi anunciado, gerou expectativa, foi gravado e… censurado! A cena, que foi ao ar no último capítulo, foi cortada.

“Eu e Marcos Schechtman (diretor) fizemos a cena, ela foi gravada. Batalhamos por ela e não posso negar que fiquei frustrada por não ter sido exibida. Os atores também ficaram. Afinal, encenaram com muito entusiasmo”, declarou, na época, a autora da trama, Gloria Perez.

Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Giselle Tigre) protagonizam o primeiro beijo gay das novela - "Amor e Revolução" (2011)

Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Giselle Tigre) protagonizam o primeiro beijo gay das novela -
Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Giselle Tigre) protagonizam o primeiro beijo gay das novela - "Amor e Revolução" (2011) (Foto: Lourival Ribeiro/SBT)

O primeiro beijo gay televisionado em novelas não aconteceu na Rede Globo. Amor e Revolução, do SBT, transmitiu a troca de carinhos entre Marcela e Marina em 2011. “Na novela, a relação das duas até causa estranhamento, porque é nos anos 60. Mas hoje em dia não há motivos para se chocar”, declarou, na época, a atriz Luciana Vendramini. “É preciso começar a tratar os gays de forma natural porque não há nada de anormal em relação a eles.”

Gilvan (Miguel Roncato) é a primeira vítima fatal de homofobia nas novelas - "Insensato Coração" (2001)

Gilvan (Miguel Roncato) é a primeira vítima fatal de homofobia nas novelas -
Gilvan (Miguel Roncato) é a primeira vítima fatal de homofobia nas novelas - "Insensato Coração" (2001) (Foto: Reprodução/TV Globo)

A novela "Insensato Coração" abordou a homofobia nua e crua sentida por tantos LGBTQIA+ no Brasil todos os dias - o nosso país é um dos que mais mata pessoas da comunidade todos os dias. O jovem Gilvan foi morto após um ataque de pitboys no Rio de Janeiro em uma cena bem violenta. Vinícius, líder da gangue, foi interpretado por Thiago Martins e acabou sendo preso na reta final da trama. Essa foi a primeira vez que um folhetim mostrou de forma tão explícita um ataque homofóbico.

Primeiro beijo gay na Globo: Felix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) - "Amor à Vida" (2014)

Primeiro beijo gay na Globo: Felix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) -
Primeiro beijo gay na Globo: Felix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) - "Amor à Vida" (2014) (Foto: Reprodução/TV Globo)

O esperado primeiro beijo entre duas pessoas do mesmo sexo aconteceu em janeiro de 2014, no último capítulo de "Amor à Vida". Felix e Niko trocaram um beijo caloroso e um selinho enquanto selavam o amor no episódio derradeiro da história.

O folhetim também foi marcado por uma importante discussão sobre a homossexualidade de Felix em sua família. De início, seu pai, César (Antonio Fagundes), não aceita a orientação sexual do filho, porém acabou deixando as diferenças de lado na reta final.

Andre (Caio Blat) e Tolentino (Ricardo Pereira) protagonizam primeira cena de sexo entre dois homens - "Liberdade Liberdade" (2016)

Andre (Caio Blat) e Tolentino (Ricardo Pereira) protagonizam primeira cena de sexo entre dois homens -
Andre (Caio Blat) e Tolentino (Ricardo Pereira) protagonizam primeira cena de sexo entre dois homens - "Liberdade Liberdade" (2016) (Foto: TV Globo/Reprodução)

O casal Andre e Tolentino entrou para a história da teledramaturgia por dois motivos: protagonizaram a primeira cena de sexo entre dois homens da história da TV e romperam barreiras ao viver um romance na época da Inconfidência Mineira. A cena escrita pelo autor Mario Teixeira foi quente, porém marcada pela delicadeza e cumplicidade entre os dois.

O casal maduro Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro) - "Babilônia" (2017)

O casal maduro Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro) -
O casal maduro Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro) - "Babilônia" (2017) (Foto: Reprodução/TV Globo)

Apesar do fracasso de audiência, a novela Babilônia teve um papel social importante ao celebrar o amor entre Estela e Teresa, duas mulheres da terceira idade que estavam juntas há décadas. É uma pena que a importância dessas personagens acabou não sendo bem explorada em meio a uma trama bem bagunçada.

Ivan (Carol Duarte) se assume um homem transgênero - "A Força do Querer" (2017)

Ivan (Carol Duarte) se assume um homem transgênero -
Ivan (Carol Duarte) se assume um homem transgênero - "A Força do Querer" (2017) (Foto: Reprodução/TV Globo)

A novela de Gloria Perez acompanhou de perto a transformação de Ivan, um jovem que passou a vida inteira vivendo como mulher, mas acaba se descobrindo um homem trans. “Foi um impacto, mas foi lindo, porque o público abraçou o Ivan, mesmo sem entender o que estava acontecendo”, declarou a atriz Carol Duarte em 2020, quando a trama foi reprisada.

Uma das cenas mais comoventes foi quando ele contou para a família conservadora que, na verdade, não era uma mulher lésbica e sim um garoto que vivia no corpo errado. A preconceituosa Joyce (Maria Fernanda Cândido), mãe de Ivan, protagonizou momentos intensos com o personagem.

O recorte racial entre Guga (Pedro Alves) e Serginho (João Pedro Oliveira) - "Malhação" (2019)

O recorte racial entre Guga (Pedro Alves) e Serginho (João Pedro Oliveira) -
O recorte racial entre Guga (Pedro Alves) e Serginho (João Pedro Oliveira) - "Malhação" (2019) (Foto: Reprodução/TV Globo)

Tramas LGBTQIA+ saíram do horário nobre e foram abordadas em faixas e telenovelas de classificação livre. Em 2019, o romance entre Guga e Serginho em Malhação ganhou outro recorde: o racial. A trama abordou o despertar da sexualidade, a intolerância por parte da família e o racismo sofrido por Serginho.

A novelinha teen também já contou com outros personagens LGBTQIA+, como os casais Santiago e Michael e Samantha e Lica, ambos em 2018.

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