10 dicas para amamentar melhor

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Todos os anos, uma leva de atrizes e cantoras posa para a campanha a favor do aleitamento materno. Médicos renomados, como o Drauzio Varella, falam sobre os benefícios de o bebê se alimentar exclusivamente do leite da mãe e cada vez mais informações estão disponíveis a esse respeito. Ainda bem. Mas ainda faltam aquelas dicas práticas que podem ajudar a mamãe a não se desesperar se o comecinho não for fácil.

Acontece que realmente pode ser difícil, mas não impossível. E eu conversei com a Suzana Beatriz Fúcio, dentista especializada em odontopediatria e consultora em amamentação, e ela deu algumas dicas para facilitar sua vida. Dá uma olhada:

1. Informe-se ainda durante a gestação

“Nenhum tipo de intervenção para o preparo dos seios (cremes, buchas, álcool, massagem, exposição ao sol ou ao ar) tem eficácia comprovada e ainda pode impor à mamãe obrigações e culpa”, explica a dentista. Útil na gravidez é se empoderar de informações embasadas cientificamente e atualizadas a respeito da fisiologia do aleitamento, tirar dúvidas sobre como proceder nas dificuldades e identificar a pega correta do bebê, facilitando o processo de amamentação.

2. Parto humanizado

Para começar a amamentação com o pé direito, uma boa experiência no parto conta muito. Solicite à equipe médica procedimentos mais humanizados, o que não necessariamente significa parto de cócoras. O contato pele a pele imediato, em que o recém-nascido é apenas seco com uma toalha e colocado nu sobre a mamãe, aumenta as chances de que a amamentação ocorra sem problemas e por mais tempo. “Além disso, reduz o risco de hipoglicemia, hipotermia e estresse respiratório. E esse procedimento pode ser realizado mesmo depois de um parto cesárea, inclusive enquanto é feita a sutura na mamãe”, diz Suzana.

3. Pratique a livre demanda

Amamentar em livre demanda significa oferecer o peito diante do primeiro indício de que o bebê está disposto a mamar. Como saber? Perceba se ele faz movimentos te procurando, se faz sons diferentes, se suga os próprios punhos… “Não espere ele chorar, já que esse é um sinal tardio de fome. O aleitamento materno sob livre demanda diminui a perda de peso inicial do recém-nascido, promove uma ‘descida do leite’ mais rápida, aumenta a duração do aleitamento materno, estabiliza os níveis de glicose do recém-nascido, diminui a incidência de icterícia, previne ingurgitamento mamário (‘leite empedrado’) e satisfaz plenamente a necessidade de sucção do bebê, prevenindo o uso de chupetas”, conta a especialista.

4. Elimine chupetas e mamadeiras

O peito não representa só o alimento do bebê, mas também afetividade, já que o ato de amamentar envolve contato físico, carinho, calor, consolo e o som das batidas do coração da mamãe. Quando o bebê chora precisando sugar e o “calamos” com a chupeta ou a mamadeira, pode ocorrer o desmame precoce. Isso acontece por dois motivos: primeiro porque o maior estímulo para a produção de leite é a sucção feita pelo bebê, então a mamãe deixa de produzir leite suficiente. E segundo, porque a maneira de sugar a mamadeira é muito diferente, porque o leite leva mais tempo para sair dos seios. O sabor e a textura do alimento também variam. O resultado? O bebê fica nervoso e impaciente quando levado ao seio materno, começando a rejeitar o peito e isso provoca dor e fissuras no mamilo da mãe.

5. Peça ajuda

Apesar de o peito ser da mamãe, o papai e familiares podem (e devem) participar ativamente da amamentação. A família pode oferecer suporte emocional à mãe, contribuir para manter um ambiente calmo e livre de pessoas inconvenientes, assumir tarefas de casa para permitir que a mulher tenha momentos de descanso, evitar comentários negativos e aconchegar o bebê após a mamada (fazer arrotar, trocar a fralda, dar um colinho…).

6. A pega correta

Quando um bebê não consegue pegar direito o seio, ele sente fome, perde peso e machuca a mamãe, que acaba pedindo socorro à mamadeira por não suportar mais a dor. Fique confortável, com as costas e braços bem apoiados, e posicione o bebê barriga com barriga, evitando que a cabecinha dele fique torta, desconfortável, e que o mamilo escape de sua boca. Observe também o seguinte: a boca do bebê deve abocanhar grande parte da área escura em volta do mamilo, principalmente sua parte inferior; os lábios devem estar voltados para fora (boca de peixinho), o queixo do bebê deve estar tocando o seio da mamãe, as bochechas devem permanecer cheinhas (sem “covinhas”) e não deve haver barulhos como estalos durante a mamada.

7. A ordenha manual

A ordenha manual pode ser útil desde a maternidade, quando é preciso esvaziar as mamas para que o seio não fique muito cheio e endurecido, para desobstruir um ducto ou mesmo para o caso de algum imprevisto em que a mamãe precise passar algumas horas separadas do bebê. Além dos cuidados com a higiene das mãos e do recipiente de coleta do leite, a extração propriamente dita é realizada com o polegar e o indicador a uns dois centímetros do mamilo, primeiro se deve apertar para trás (em direção às costelas) e depois juntar os dedos, girando a posição ao redor da aréola para esvaziar todos os ductos.

8. Não crie falsas expectativas

É comum as mamães sonharem e se iludirem durante toda a gravidez imaginando um bebê perfeito, que atende a todas as suas expectativas: lindo, fofo, calmo, sem cólica… mas a realidade é que ele chora muito, quer colo, quer mamar o tempo todo, não dorme. E as mamães desesperadas começam a procurar receitas mágicas da maternidade para que o bebê fique quietinho no berço. Deixa disso. Seu bebê é normal!

9. Derrube os mitos

“Dentre crenças populares ou mesmo situações que outras pessoas viveram, chovem palpites e bobagens. E em um rápido momento de dúvida e insegurança da mamãe aquilo passa a fazer sentido e gera ansiedade e preocupações desnecessárias”, conta Suzana. A dieta da mãe é sempre alvo: alimentos que aumentam ou diminuem o leite, ou que dão cólicas no bebê… O que pode interferir na produção de leite é o álcool, o fumo e remédios não compatíveis com a amamentação. De resto, a mamãe pode consumir qualquer alimento. Ainda, o potencial nutritivo do leite materno é sempre colocado em dúvida: é fraco, é pouco, deixa de servir depois de uma certa idade… E pra piorar tem quem julgue a capacidade da mamãe de amamentar. Pode ser porque a mãe dela não amamentou, porque o seio é pequeno ou grande demais, porque o bico do seio é invertido, porque não conseguiu amamentar seu outro filho, porque colocou silicone no seio… tudo mito!

10. Confie no seu peito

O sistema digestivo do bebê continua em formação após o nascimento e a cólica pode ter causas relacionadas a intolerâncias e alergias alimentares. Entretanto, ela pode ser prevenida ou tratada pelo COLO. Nem medicamentos, nem chazinhos. Apenas atender ao bebê quando ele solicita! “Vale lembrar que a amamentação tem potencial analgésico, reduzindo choro e frequência cardíaca em procedimentos dolorosos (como vacinas e teste do pezinho). Portanto, colo e peito são suficientes para relaxar e acalmar os bebês com cólica”, conclui a consultora.

Serviço:

Suzana Beatriz Fúcio, consultoria em amamentação. Para visitar a página, clique aqui.