10 coisas que precisamos parar de falar sobre abuso sexual

A culpa nunca é da vítima – Foto: Getty Images

Em homenagem ao mês de Conscientização contra o Abuso Sexual, listamos 10 coisas que precisamos parar de repetir diante de casos de assédio, abuso, estupro e violência.

Já conhece o Instagram do Yahoo Vida e Estilo? Segue a gente!

1. Você tinha bebido? Você tinha usado drogas?

A decisão de beber ou usar drogas não pode ser equivalente à decisão de ser estuprada. Escolher beber ou usar drogas não funciona como consentimento para ter uma relação sexual.

2. O que você estava vestindo?

O fato de uma mulher usar uma blusa de alcinha significa que os homens podem escolher estuprar? Se eles se sentem excitados por causa das roupas, isso é um problema deles e nunca da vítima.

3. “Depois do que aconteceu, você quer fazer sexo o tempo inteiro?”

O fato de uma mulher sofrer um estupro ou ser abusada sexualmente não significa que ela que fazer sexo “o tempo todo”. Não significa que ela queria ter feito no momento da agressão, nem significa que vai querer fazer no futuro.

Leia mais: Sem pudor! Veja 6 fatos sobre as mulheres e a pornografia

4. Você nunca mais vai fazer sexo?

O fato de ter sido machucada por alguém uma vez, não significa que a mulher nunca mais vai querer dar uma segunda chance ao sexo.

5. Você precisa perdoar o seu agressor.

Essa decisão não cabe a você. Essa decisão não cabe a ninguém. E mesmo que a vítima decida perdoar, isso não significa que precisa dar uma segunda chance a ele. As segundas, terceiras, quartas e quintas chances são as razões pelas quais as pessoas acabam presas em ciclos abusivos. Perdoar pode ser perigoso. Você está me pedindo para voltar, voluntariamente, a uma situação da qual eu mal tive forças para me livrar?

6. Você se colocou naquela situação; a culpa é sua.

Mesmo que a vítima tenha se colocado naquela situação ao ir a uma balada ou ao sair com alguém que pensava ser confiável, mas mostrou que estava errada, isso não torna a pessoa responsável pelas ações das outras pessoas. Ninguém pede para ser estuprado ou abusado.

7. Bom, na verdade não foi uma agressão, porque… não foi abuso sexual porque… não foi estupro porque…

Esta decisão não cabe a você. Você foi encurralado naquele beco escuro? Você derramou lágrimas de vergonha naquela noite? Você teve que convencer os policiais de que precisavam acreditar em você, e não nele? Você continuou sentindo os dedos dele na sua pele, o hálito dele na sua orelha, dia após dia, durante anos?

8. Você tem certeza de que foi ele? Ele não é o tipo de homem que faria isso.

Um lobo em pele de cordeiro ainda é perigoso. Ele pode parecer legal, pode fazer todas as coisas certas, pode saber exatamente o que dizer para que você acredite nele, pode se esconder perfeitamente por trás daquela cara de cordeirinho.

9. Você tem certeza de que está se lembrando bem das coisas?

Se eu tenho certeza de que estou me lembrando bem das coisas? Tenho certeza de que tudo volta queimando na minha mente no minuto em que eu me lembro. Tenho certeza de que todas as noites, quando me deito e fecho os olhos para dormir, tudo ainda está lá. Tenho certeza de que estou me lembrando bem da única coisa que não consigo esquecer.

10. Você não é o tipo de mulher com quem essas coisas acontecem.

Que tipo de mulher é esse? O tipo de mulher sensual demais? O tipo de mulher que sai sozinha à noite? O tipo de mulher ingênua em relação ao mundo? Com qual tipo de mulher “isso” acontece? Que tipo de mulher merece esse destino? Que tipo de mulher você vai empurrar na frente do ônibus para que seja comida por esses monstros?

Se nós não mudarmos a forma como pensamos nos traumas sexuais, vamos continuar permitindo que eles aconteçam.