'007 - Sem Tempo para Morrer' moderniza saga e reverencia clássicos

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FOLHAPRESS - Não é fácil para uma superprodução superar uma troca de diretores por "diferenças criativas" e inclusão de roteirista para lapidar ou melhorar diálogos. Mas esse parece ter sido apenas um pequeno percalço nas filmagens de "007 - Sem Tempo para Morrer", quinto e último filme com Daniel Craig no papel do agente secreto mais famoso das telas.

Um olhar pelo produto final faz acreditar que as diferenças foram superadas e as escolhas, acertadas. A própria estreia em salas de cinema mostra a resiliência de "Sem Tempo para Morrer", digna de uma missão de James Bond.

O britânico Daniel Craig foi o sexto ator a vestir oficialmente o smoking do personagem criado por Ian Fleming, mas foi o primeiro a ganhar um filme de despedida. Isso é perceptível em incontáveis momentos das duas horas e 43 minutos de duração do longa -que não cansam, digamos.

Tudo no novo "007" parece estar cercado por um clima de nostalgia, da primeira cena —que recupera o agente se virando para atirar "na câmera"— aos diálogos, de um retrato na parede ao Aston Martin. Um capanga com olho de vidro entra para a notória galeria de malfeitores desfigurados. Até a ilha na qual o gênio do crime esconde seus planos fará os mais antigos lembrarem de "007 Contra o Satânico Dr. No", primeiro da franquia.

Aliás, Johanna Harwood foi uma das roteiristas de "Dr. No". E precisou de quase seis décadas para voltarem a chamar uma mulher para o time de escritores das aventuras de 007. A escolha não poderia ter sido melhor —Phoebe Waller-Bridge, a celebrada atriz e roteirista da série "Fleabag".

Na trama, Bond está em sua aposentadoria idílica com Madeleine (Léa Seydoux), até que sofre um atentado, descobre que a moça tem segredos e tenta deixar tudo para trás. Anos depois, uma ameaça biológica faz com que seus serviços sejam requisitados, primeiro pela CIA, do velho amigo Félix (Jeffrey Wright), depois, pelo serviço secreto de sua majestade, coordenado por M (Ralph Fiennes). Entre um e outro, encontra uma nova agente com licença para matar que herdou o código 007 (Lashana Lynch).

Waller-Bridge foi chamada para lapidar o roteiro, dar alternativas para cenas que já estavam escritas. É curioso passar por "Sem Tempo para Morrer" imaginando quais falas têm o dedo da roteirista. Mas é notório que o filme é o mais igualitário de Bond em relação ao sexo feminino.

Uma sequência inteira de lutas e tiroteios ao lado de Ana de Armas termina com um cumprimento e uma conversa na linha "ótimo trabalhar com você, até a próxima". Sem piadinhas sexistas. E olha que Armas —que mostra ótimo entrosamento com Craig desde "Entre Facas e Segredos"— distribui chutes e tiros com um figurino extremamente sexy. Bond também nunca esteve tão frágil. Perde a calma e não foge da DR. Mas o humor está lá, presente principalmente na relação com a nova 007.

"Sem Tempo para Morrer" reverencia os signos tão caros à franquia ao mesmo tempo em que moderniza alguns. Para os que ficam procurando referências é um prato cheio.

Cada sequência parece pensada para desmontar os "haters" que perseguiram Craig como Bond -locações de cartão postal em diferentes cantos do mundo. Matera, na Itália, provavelmente perderá a paz, o smoking, até o martini está de volta ao bom e velho "batido, não mexido" —em "Casino Royale", Bond jogava a fórmula às favas.

Do outro lado, as lutas coreográficas ou as perseguições parecem cada vez mais saídas de um videogame. Mas exagero nunca foi problema para o personagem que já usou crocodilos como ponte. Por fim, apoiado na direção ágil de Cary Joji Fukunaga —o substituto de Danny Boyle—, Daniel Craig entrega sua atuação mais madura na pele do personagem. Uma despedida com dignidade, elegância e respeito ao mito. Sorte ao próximo.

007 - SEM TEMPO PARA MORRER

Avaliação Muito bom

Quando Estreia nesta quinta (30)

Onde Nos cinemas

Classificação 14 anos

Elenco Daniel Craig, Léa Seydoux, Lashana Lynch e Rami Malek

Produção Reino Unido/EUA, 2021

Direção Cary Joji Fukunaga

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