Últimas palavras de Halyna Hutchins foram 'isso não foi bom'

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As últimas palavras ditas pela diretora de fotografia Halyna Hutchins, 42, que morreu no set do filme "Rust", no dia 21 de outubro, em Santa Fé, nos Estados Unidos, foram divulgadas nesta segunda-feira (1º) pelo jornal Los Angeles Times, que ouviu 14 membros da equipe de produção.

Segundos depois de ter filmado Alec Baldwin, 63, Halyna, que foi atingida pelo tiro acidental, disse para um operador de áudio: "Isso não foi bom. Isso não foi nada bom", segundo o jornal. Ela tropeçou para trás e caiu nos braços de um eletricista, enquanto o sangue escorria de seu peito.

No mesmo momento, o diretor Joel Souza, atingido por um tiro, também caiu no chão. "O que diabos foi isso? Isso queima! ", gritou Souza. Baldwin colocou a arma em um banco e disse repetidamente: "O que diabos acabou de acontecer?"

"Médico!", gritou alguém. Membros da equipe correram em direção a Halyna. Um dos operadores de áudio olhou nos olhos da diretora de fotografia e disse: "Oh, isso não foi bom." Neste momento ela disse as últimas palavras. Ela foi transportada de avião para o Hospital da Universidade do Novo México, em Albuquerque, onde foi declarada morta.

Minutos antes da tragédia no set, Baldwin estava se preparando para uma cena de tiroteio dentro de uma igreja e se certificou de que a equipe de filmagem tinha acertado os ângulos para a gravação.

"Então, acho que vou tirar isso, puxar e dizer, 'Bang!'", disse o ator, que segurava a arma no coldre, que deveria estar carregada com balas falsas, de acordo com o relatório.

No sábado (30), Baldwin quebrou o silêncio e falou pela primeira vez com jornalistas sobre a morte de Halyna, que ele acidentalmente atirou e matou no set de filmagem.

"Ela era minha amiga, ela era minha amiga", disse Baldwin. "Quando cheguei a Santa Fé para começar a filmar, levei-a para jantar", disse Baldwin aos repórteres enquanto estava parado na beira de uma estrada rural com a mulher Hilaria Baldwin, que filmava tudo com um celular. "Éramos uma equipe muito, muito bem treinada, filmando juntos quando esse evento horrível aconteceu."

O ator falou que de vez em quando ocorrem acidentes em sets de filmagem, mas nada parecido com o que aconteceu no set de "Rust". "Este é um episódio em um trilhão, um evento em um trilhão", afirmou.

O ator destacou o esforço para limitar o uso de armas de fogo em sets de filmagens. "Eu sei o esforço contínuo para limitar o uso de armas de fogo em um set, é algo em que estou extremamente interessado", disse ele.

Mas membros da equipe de gravação do filme disseram ao Los Angeles Times que estavam muito frustrados e que o corte de custos foi priorizado em relação à segurança. "Sempre senti que o orçamento era mais importante do que os membros da equipe", disse Lane Luper, o primeiro assistente da câmera A, ao jornal. "Tudo girava em torno do cronograma e do orçamento."

Membros do sindicato haviam até saído do set horas antes de Baldwin, também produtor do filme, disparar a arma. Eles citaram a "segurança ruim das armas" como uma das razões para a mudança, de acordo com uma mensagem de texto obtida pelo The Post.

Um técnico de câmera, que pediu para não ser identificado, falou que o próprio Baldwin estava supostamente preocupado com a segurança. "Alec estava muito preocupado com a segurança no set", disse. "Ele queria saber onde eu estaria quando ele sacasse sua arma. Eu disse a ele que estaria em um lugar diferente, e ele disse: 'Bom'", acrescentou o técnico de câmera.

Havia ainda preocupação com a falta de um médico no local durante a pré-produção, protocolo padrão na indústria cinematográfica. "Alguém deixou cair uma ponta de escarear e ela me apunhalou na mão. Tive de cuidar sozinha e ainda estou me recuperando", disse outra pessoa, que também pediu para permanecer anônima, se referindo a um acidente na construção de uma forca suspensa.

O representante da 3rd Shift Media, que administrava a produção da unidade, não quis comentar as declarações feitas por membros da equipe de filmagem ao jornal.

Uma pessoa da equipe do filme descreveu como eles estavam "olhando diretamente para" Hutchins quando ela foi atingida. "Eu estava olhando diretamente para ela, pude ver uma ferida que imediatamente começou a derramar sangue e foi quando [as pessoas gritaram] 'Ela foi baleada!' e tudo enlouqueceu", disse ao jornal.

ENTENDA O CASO

Um tiro disparado no set de filmagens do filme "Rust", estrelado por Alec Baldwin, deixou a diretora de fotografia Halyna Hutchins, 42, morta e o diretor Joel Souza, 48, ferido, no Bonanza Creek Ranch, em Santa Fé, Novo México, nos Estados Unidos, no dia 21 de outubro.

O próprio ator disparou a arma cenográfica, que deveria estar com festim, não com munição de verdade. "Estamos tentando determinar agora como e que tipo de projétil foi usado na arma de fogo", disse Juan Rios, porta-voz do Gabinete do Xerife do Condado de Santa Fé.

Baldwin foi interrogado e estava chorando, segundo o Santa Fe New Mexican, mas ninguém foi preso pelo acidente. Segundo apuração, a arma foi entregue ao ator pelo diretor assistente Dave Halls, que não sabia que ela tinha munição de verdade e confirmou isso no set gritando "arma fria".

Mas, segundo o sindicato de Hollywood, a arma continha munição real. "Uma munição verdadeira foi acidentalmente disparada no set pelo ator principal, atingindo a diretora de fotografia Halyna Hutchins, integrante da Local 600, e o diretor Joel Souza", disse uma filial local do sindicato IATSE (Aliança Internacional de Funcionários de Palco Teatral, na sigla em inglês).

Horas antes do disparo, um grupo de operadores de câmeras deixou o set de "Rust" em uma praia próxima à cidade de Santa Fé em protesto às condições de trabalho. Baixo orçamento, longas viagens e jornadas de trabalho foram algumas das reclamações, segundo o jornal Los Angeles Times.

Em suas redes sociais, Alec Baldwin falou sobre o choque e tristeza causados pelo acidente, e disse estar em contato com a família da colega. "Eu estou cooperando com a investigação policial para descobrir como essa tragédia aconteceu", escreveu.

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