"A Última Ceia" de Leonardo da Vinci termina seu confinamento

Brigitte HAGEMANN
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Visitantes apreciam a "A Última Ceia" , pintura mural do artista italiano Leonardo da Vinci do final do século 15 no refeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie em Milão, em 10 de fevereiro de 2021.

Um dos afrescos mais famosos do mundo, "A Última Ceia" de Leonardo da Vinci, saiu nesta semana do confinamento imposto pela covid-19, e os amantes da arte já podem admirá-lo no convento dominicano de Milão.

Longe das habituais multidões de turistas, muitos moradores da capital da Lombardia aproveitaram para reservar a entrada no convento de Santa Maria delle Grazie, onde se encontra a pintura mural executada entre 1495 e 1498.

"Para mim é um renascimento, volto a viver. Depois dessa pandemia terrível, posso fugir, acalmar minha alma, sentir as emoções de novo", diz Alessandra Fabbri, 37 anos, que trabalha com publicidade digital.

Residente em Milão, mas originária de Urbino, local de nascimento de Rafael no centro da península, outro mestre da pintura, reconhece os fortes laços entre esses grandes artistas renascentistas.

Após a medição obrigatória da temperatura, pequenos grupos de 12 pessoas podem entrar silenciosamente no famoso refeitório por quinze minutos, onde está localizada uma das pinturas mais bonitas do mundo.

O famoso mural representa o jantar em que Jesus anuncia que um de seus doze discípulos o trairá.

- 'Arte e espiritualidade' -

“É a obra de arte mais linda que já vi na minha vida, uma mistura de arte e espiritualidade, é mágica”, diz Anna Oganisyan, 50 anos, pianista francesa que mora em Milão.

Acompanhada da filha Anne-Charlotte, Oganisyan conseguiu as entradas no último minuto, o que seria impossível antes da pandemia, já que era preciso reservar com pelo menos três meses de antecedência.

Parada obrigatória para 60-70% dos turistas que chegam do exterior antes da pandemia, incluindo americanos, chineses e coreanos, o trabalho do gênio do Renascimento, que se destacou em várias áreas, está agora disponível para os milaneses.

“Apostamos no turismo local, algo que os milaneses exigiam, porque esses lugares foram tomados pelo turismo internacional”, avalia Michela Palazzo, diretora do Cenacolo Vinciano.

O museu, que reabriu suas portas na terça-feira, fechou pela primeira vez após o primeiro confinamento decretado no final de fevereiro.

Em seguida, foi reaberto em 10 de junho até 5 de novembro. As receitas de cerca de 1,2 milhões de euros por ano (US $ 1,4 milhão) sofreram uma queda de 80% em 2020.

No ano anterior, em 2019, bateu o recorde com mais de 445 mil visitantes devido às comemorações dos 500 anos da morte de Leonardo da Vinci.

- Sem filas -

“A partir de agora, não há mais filas, o silêncio prevalece, essas são as condições ideais para admirar esta obra-prima extraordinária e fugir da pandemia”, diz Michela Palazzo.

Ao contrário de seus vizinhos europeus, a Itália afrouxou as restrições anticovid em vigor na maioria de suas regiões no início de fevereiro, autorizando bares, cafés e restaurantes a reabrir ao público.

Os museus também puderam abrir, mas apenas durante a semana para evitar multidões.

“Há muito tempo eu queria ver 'A Última Ceia', é muito bonita”, confessou Davide Palano, uma estudante do ensino médio de 17 anos, que reservou o ingresso online no dia anterior.

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