'É tempo dessa canção', diz Bethânia ao cantar 'Cálice' em festival

***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 28.08.2019 - A cantora Maria Bethânia. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 28.08.2019 - A cantora Maria Bethânia. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Vestida de vermelho e prata, Maria Bethânia encerrou o Coala Festival neste domingo (18), no Memorial da América Latina, em São Paulo, em um show que fez parte do público chorar com as interpretações marcantes.

Uma delas foi "Cálice", de Chico Buarque e Gilberto Gil, composta na década de 1970, durante a ditadura militar. Os dois artistas escreveram uma metáfora musical à censura da época e foram proibidos de interpretar a obra durante cinco anos.

"Essa canção de Chico tem que ser cantada", disse Bethânia. "É dia dessa canção. É tempo dessa canção".

A cantora também incluiu "Sampa" no repertório e emocionou o público com a música que o irmão, Caetano Veloso, fez para homenagear São Paulo, cidade que ela chamou de comovente.

As lágrimas foram uma das marcas do show de Bethânia. Formado em sua maioria por jovens, o público demonstrou comoção ao assistir a apresentação que emendou sucessos como "Um Índio", "Emoções", "Fera Ferida", "Olhos nos Olhos", "Negue", "Volta por Cima", "Ronda", "Reconvexo" e "O que é o que é", entre outras.

Bethânia cantou também "Tá Escrito", a canção de Xande de Pilares que tem os versos "erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé, manda essa tristeza embora".

Enquanto ela percorria o palco e cumprimentava o público, várias pessoas da plateia faziam o sinal de L, gesto usado pelos apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha deste ano.

Para os organizadores do festival, foi histórico o show que fechou a edição 2022, a primeira após a pausa provocada pela pandemia. "Obrigada, rainha, pelo privilégio de poder ouvir sua voz ecoar no coração de milhares de pessoas", postou o perfil do festival nas redes sociais.

No final da apresentação, todas as luzes do palco e o telão apagaram por alguns minutos e os equipamentos desligaram em uma aparente falha de energia elétrica. Bethânia comentou o problema dizendo ter acreditado que não voltaria, mas conseguiu fazer o bis.

No sábado, Gal Costa foi mais explícita em sua manifestação política durante show de encerramento da segunda noite do festival.

Ela não citou nomes, mas em intervalo entre as músicas lembrou que as eleições presidenciais estão próximas, pediu voto com sabedoria, inteligência, sem ódio e com amor e fez o L.