É Normal: "O tempo é muito precioso para acharmos que devemos preencher ele todo"

O 'É Normal', conduzido por Fernando Rocha, em tempos de quarentena convidou a atriz Débora Falabella e a psicanalista Vera Iaconelli para compartilharem suas angústias e suas expectativas diante do isolamento social e do futuro tão incerto. "A gente é muito demandado mesmo quando a gente não tem nada a rigor para fazer. Às vezes vem de uma lógica de produtividade muito insana, que vem do neoliberalismo. De fazer yoga, escrever 'Em Busca do Tempo Perdido', ensaiar uma peça de teatro e arrumar todos os armários. A gente tem essa lógica da produtividade que, agora, deveríamos quebrar. O tempo é muito precioso para acharmos que devemos preencher ele todo", analisa Vera Iaconelli, que vê com um certo otimismo, apesar de todo o caos e sofrimento, essa pausa mundial. "Eu de verdade espero que a gente não volte ao que éramos antes. Será que o Brasil irá se ver como uma nação a partir de 2020?", questiona a psicanalista. Mãe de uma garota de 10 anos, Nina, e acostumada com a não rotina em sua vida profissional, Débora Falabella tem vivenciado todas as fases dessa pandemia - tristeza, homeschooling, conformismo, tempo maior com a família, falta de tempo. "Na primeira semana foi uma ralação, fiquei obcecada por limpeza, dando aula para Nina e tem coisas que não lembro mais. Existe essa pressão de fazer alguma coisa. No início pensei: 'Vou ensaiar uma peça'... Imagina, não tenho nem tempo de ler um texto [risos]. Galera falando de séries e livros para ler e ao mesmo tempo eu acompanhando grupos das amigas, das mães dizendo: 'Acordo, faço café, almoço, jantar, dever com as crianças'." "Já passei da fase de acordar e ser um dia difícil, chorar no fim do dia. Mas a gente precisa continuar e seguir. Tenho uma filha para criar, ela precisa ficar bem em casa", afirma Débora, que abriu algumas brechas. "Quebrei algumas regras que tinha na minha cabeça sobre criação, por exemplo. Eu e o pai dela resolvemos dar um celular para ela, algo que sempre fui contra, pois vi que ela [Nina] precisava também falar com os amigos, assim como nós precisamos nos comunicar", conta a atriz.