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    Filme mostra como tráfico de maconha corrompeu cultura indígena na Colômbia

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Guajira é a região que ocupa a parte mais ao norte da Colômbia. Essa extensão quase toda desértica, que se espraia até o mar do Caribe, é o território dos wayúus, maior povo indígena do país. É ainda o palco do período conhecido como "bonanza marimbera", que vai dos anos 1970 até o começo dos anos 1980, durante o qual a maconha era ouro para os wayúus, que produziam e traficavam a erva para os Estados Unidos. O tráfico causou uma guerra entre clãs, matando 250 pessoas; sua história, anterior à dos cartéis da cocaína, é contada em "Pássaros de Verão", que chega agora aos cinemas.  É um filme de narcotráfico, mas não nos padrões associados ao gênero, em voga no streaming. É um filme de gângsteres, mas não à moda hollywoodiana, embora na base de tudo haja uma guerra familiar. É um épico grego, mas permeado dos rituais e da mitologia dos wayúus e falado em boa parte no idioma wayuunaiki. "Pássaros de Verão" se divide em capítulos, chamados de cantos como numa tragédia clássica, e tem mesmo um narrador que, como um aedo, entoa parte da narração. Ciro Guerra, que dirige o filme com Cristina Gallego, diz que o "canto jayeechi" é a forma com que o povo wayúu sempre narrou sua história. "É sua literatura, seu noticiário, seu cantar épico." Uma forma "muito parecida à maneira como os gregos contavam sua história no passado". E a história do filme, diz ele, "tem muito em comum com a tragédia grega". O resultado poderia ser estranho ou cansativo --mas é fascinante. Com sutileza, a dupla mostra como a cultura é alterada pela ganância. Não que os indígenas sejam retratados de forma condescendente ou romântica. "Por sua localização geográfica, eles sempre viveram do contrabando", diz Guerra. Mas, por outro lado, não tinham como antever a transformação. "Ninguém sabia as consequências, a maconha não era ilegal. Foi criminalizada nos anos 1970. Para eles era uma erva qualquer, como o cominho." Os wayúus, diz, não tinham como estar preparados para a "chegada do capitalismo em sua forma mais selvagem". No filme, esse processo se traduz em detalhes claros, mas não óbvios; a mochila de crochê, artefato tradicional dos wayúus, dá lugar a bolsas de couro; onde havia casas tradicionais de pedra, um casarão de ares modernos surge no meio do nada. Guerra e Gallego trabalharam por dois anos levantando informação na região --de onde veio ele e onde haviam feito, 11 anos atrás, "As Viagens do Vento".  Ali, ouviram histórias dos moradores. Parte do elenco --cerca de um terço dele é de não atores escalados na comunidade-- viveu os fatos. A história de como Rapayet passa a traficar erva a fim de pagar o dote exigido para se casar com sua pretendida Zaida e os desdobramentos dessa decisão, porém, são fictícios. "Pássaros de Verão" é a estreia de Cristina Gallego na direção. Ex-colega de faculdade e ex-mulher de Guerra, produziu os outros três filmes dele.  Seu trabalho anterior, "O Abraço da Serpente", projetou a dupla e o cinema colombiano mundialmente, ao disputar o Oscar de filme estrangeiro há três anos --perdeu para o húngaro "O Filho de Saul". Foi também o sucesso do longa anterior que permitiu que se dedicassem a essa produção, que exigiu nove semanas de filmagem em meio ao deserto e às crenças que os wayúus ainda preservam. Gallego diz que, na cultura local, as mulheres têm um papel preponderante. Foi esse aspecto que despertou seu interesse em passar para a direção. A família é o núcleo da sociedade wayúu, de base matriarcal. A mãe de Zaida se torna figura central, fazendo o contraponto ao genro, Rapayet, que introduz o clã no tráfico. Não por acaso, ela se chama Úrsula, como uma das personagens de "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez, que, como o filme, trata da destruição de uma família.  Na pesquisa, conta Gallego, souberam que o escritor tinha sido criado por wayúus. "Tudo isso está em sua literatura e usamos elementos, mas pensando que tínhamos de ser fiéis apenas à nossa história e aos nossos personagens." Como numa boa tragédia, não falta a violência. Entretanto ela é tratada com sobriedade, ressaltando mais seus resultados do que a ação em si. "Havia uma decisão clara de não fazer dela um espetáculo, mas um evento transformador. Queríamos falar de como a violência impacta não as vítimas, mas quem a comete." Esse ponto de vista colado nos personagens afasta a possibilidade moralizante. "Não é um filme de mocinhos e bandidos", frisa a diretora, lembrando que seu próprio país vive sob juízos preconcebidos. "Colombianos são terroristas, são traficantes. Era importante aproximar o espectador dos personagens de uma forma que ele não os julgasse."

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    Filme ilustra problemas nas relações entre indígenas e ocidentais

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Estamos nos anos 1970, no interior da Colômbia, onde Rapayet, nativo wayúu, quer se casar com Zaida. Mas é preciso obedecer à tradição e pagar o dote, que consta de 30 cabras e mais alguns quebrados. Já se vê que é uma cultura onde a criação de cabras joga um papel determinante. Rapayet não tem tudo isso, mas não é impossível conseguir. E ela chega a isso por meio de um grupo de americanos que estão ali, supostamente, para proteger a Colômbia do comunismo, mas o que querem mesmo é maconha. Na companhia de um amigo ele procura um parente que se dedica à plantação da erva. Em dois tempos o problema do dote está resolvido. Algo, porém, começa a se transformar, com rapidez e não sem violência --da transação inicial, Rapayet passa ao comércio constante e agora bem maior da droga para traficantes americanos. Ou seja, o contato com o mundo exterior subverte seus hábitos. Primeiro, podemos ver uma picape irromper em meio a taperas e cabras. Mais tarde, essas cabanas são substituídas pelo imponente bunker da família de Rapayet. A maneira como os diretores Ciro Guerra e Cristina Gallego observam a transformação é que torna notável essa produção. Nenhuma mudança é instantânea. Elas são mediadas por elementos da tradição, como a matriarca influente e o mensageiro, personagens fortíssimos da trama. São, no entanto, radicais --degradam costumes, relações, tradições. Os wayúu se banham no dinheiro da droga. É difícil dizer se existe uma metáfora da própria Colômbia ou das relações entre traficantes e guerrilha, que se desenvolveria tempos depois. O filme ilustra os problemas nas relações entre indígenas e ocidentais. Habitualmente, os índios são despojados de sua cultura, catequizados e transformados em proletários. Esses pássaros de verão, ao contrário, se tornam ricos e fortes. Mas é um verão --o contágio de sua cultura pelos hábitos do homem branco deixará marcas. E elas são menos felizes do que este belo filme. PÁSSAROS DE VERÃO Quando Estreia quinta (22) Avaliação: muito bom Classificação 16 anos Elenco José Acosta, Carmiña Martínez e Natalia Reyes Produção Colômbia, Dinamarca e outros, 2019 Direção Cristina Gallego e Ciro Guerra

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    Masp exibe obras de pintoras que foram ignoradas na história da arte

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Lavinia Fontana teve tanto sucesso na pintura que seu marido largou o trabalho para assumir a criação dos 11 filhos do casal. Elisabeth Louise Vigée Le Brun foi a retratista oficial da corte de Luís 16, além da artista favorita de Maria Antonieta. Sofonisba Anguissola ganhou elogios de Michelangelo em pessoa. Elas são apenas algumas das pintoras atuantes entre os séculos 16 e 19 que o Masp apresenta em "Histórias das Mulheres, Histórias Feministas".  Dividida em duas mostras, a primeira com trabalhos até 1900 e a segunda com obras a partir dos anos 2000, a iniciativa é mais um capítulo na tentativa do museu de ampliar as vozes que escreveram a história da arte --esforço que começou há três anos, com "Histórias da Infância". Vale observar que as artistas do século 20, aqui excluídas, guiam as exposições monográficas montadas no resto do ano, como as de Tarsila do Amaral ou Lina Bo Bardi. À frente de "Histórias das Mulheres" junto a Julia Bryan-Wilson e Lilia Schwarcz, Mariana Leme diz que os casos de Fontana ou Anguissola são mais comuns do que se imagina. Afinal, explica, a noção de que as mulheres não podiam ser artistas profissionais, apenas amadoras, só foi cristalizada no século 20. Mas foi ela que ficou para nós. Os museus de belas artes raras vezes exibem obras de mulheres nas paredes. Os principais manuais de história da arte não citam seus nomes. "Parece um círculo vicioso. Se você só vê isso", diz Leme, apontando para duas pequeninas telas que pertencem à coleção do Masp, "você tem a impressão de que as mulheres não fizeram aquilo", afirma, direcionando o olhar para uma pintura de dois metros de altura da italiana Artemisia Gentileschi. "Isso é mentira, e as obras estão aqui para provar." Os trabalhos permitem descobrir artistas pouco conhecidas, além de testemunhar as dificuldades que elas enfrentaram ao longo dos séculos. Dois quadros da francesa Adrienne Grandpierre-Deverzy são simbólicos nesse sentido. No primeiro, ela retrata uma aula de arte para mulheres. Doze jovens se apinham no ateliê de pintura. No segundo, um artista pinta uma mulher nua num estúdio vazio. O desafio também atravessou a organização da mostra, que garimpou os trabalhos em galerias e coleções particulares --pouco mais da metade das pinturas expostas vêm de museus, aos quais o público tem acesso. Leme acrescenta que mesmo as instituições brasileiras não têm muito conhecimento das artistas mulheres que possuem nos acervos. Além das pinturas, "Histórias das Mulheres" exibe também têxteis de autoria feminina manufaturados na Inglaterra, na Índia, nos Andes, no antigo Império Otomano e em outros lugares. Um deles mostra as colchas costuradas por associações de mulheres americanas no final do século 19 --as peças eram vendidas para financiar desde a Guerra de Secessão a campanhas pelo sufrágio feminino. Os "quilts" servem como uma espécie de transição para "Histórias Feministas", que ocupa os andares subterrâneos do Masp. Outras obras feitas com tecido, de bandanas a enormes painéis bordados, costumam ser mostradas ali. A curadora Isabella Rjeille diz que não quis mapear uma produção feminina contemporânea na mostra. Em vez disso, explica, os artistas --a maioria, jovens latino-americanas, mas há um homem na seleção-- mostram como a vivência feminina pode ser associada a outras esferas de ativismo. Dessa forma, o coletivo Daspu, formado por prostitutas, costura um vestido de noiva a partir de lençóis usados em bordéis. Virginia de Medeiros retrata as antigas vizinhas na ocupação do velho edifício do INSS, no centro de São Paulo. Outros trabalhos se debruçam sobre as artistas mulheres que vieram antes delas. "As Páginas Brancas", da dupla sueca Eva Marie Lindahl e Ditte Ejlerskov Viken, por exemplo, cria volumes para diversas artistas ignoradas pela coleção de livros da editora Taschen. Seus miolos permanecem em branco. Nenhuma das curadoras gosta da ideia de uma história da arte feminina, no entanto. "Essa ideia de feminino pressupõe que formamos blocos homogêneos", afirma Leme. Histórias das Mulheres, Histórias Feministas Museus Av. Paulista, 1578 - Bela Vista - Tel: 3149-5959

  • Nego do Borel é condenado a pagar R$ 20 mil para motorista que teria sido zombado por ele
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    Nego do Borel é condenado a pagar R$ 20 mil para motorista que teria sido zombado por ele

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O cantor Nego do Borel, 27, foi condenado a pagar uma indenização de R$ 20 mil, por danos morais, a um motorista da Uber que afirma ter sido zombado pelo músico durante uma corrida realizada em janeiro do ano passado. O cantor recorreu da decisão, que segue em andamento na Justiça de São Paulo.  A juíza Claudia Akemi Okoda Oshiro Kato, da 4ª Vara Cível de São Paulo, acolheu parcialmente o pedido do motorista, afirmando que "o réu, não só utilizou sem autorização a imagem do autor para fins econômicos, como também lhe ofendeu a moral ao lhe dirigir expressões de gosto duvidoso e de maneira pública e desrespeitosa".  No processo, o motorista Wellington de Oliveira Gomes afirma que a corrida, realizada em 31 de janeiro de 2018, foi iniciada normalmente. Borel e ele teriam então iniciado uma conversa e que, entre um assunto e outro, o cantor passou a zombar e proferir insultos contra o motorista, fazendo imagens, depois postadas no Instagram.  O motorista afirmou ainda que algumas pessoas de seu convívio visualizaram tais imagens e as replicaram em grupos de WhatsApp colocando-o em situação vexatória e humilhante. Por conta disso, ele pediu indenização de R$ 30 mil pelos danos morais, R$ 10 mil pelo uso de sua imagem e ainda uma retratação pública.  Os advogados de Nego do Borel contestaram, mas a juíza concluiu que a ação do cantor teve "inegável e elevado potencial para causado vergonha, indignidade, tristeza e sofrimento ao autor" e determinou indenização de R$ 20 mil. Ela, porém, julgou desnecessária a retratação pública, já que a indenização tem valor de reparação integral.  A defesa do músico recorreu da decisão. Procurada, sua assessoria disse que o processo ainda está em curso e que Nego do Borel não se pronunciará.  "Os vídeos que o cantor publica em suas redes sociais sempre buscam descontrair os envolvidos e seus seguidores. As filmagens jamais são publicadas com a intenção de submeter quem quer que seja a qualquer constrangimento", afirmou nota divulgada por sua assessoria.  Essa não é a primeira polêmica em que Nego do Borel se envolve. Em fevereiro, ele recebeu críticas após responder a um comentário da travesti Luísa Marilac, 41, nas redes sociais chamando-a de "homem gato". Um dia após o ocorrido, ele gravou um vídeo se desculpando. "Às vezes eu faço umas brincadeiras sem noção e que acabam machucando as pessoas, mas não é o que eu quero. Estou fazendo de tudo pra aprender e melhorar mais todo dia", disse o artista na época, tendo sido vaiado durante uma parceria com Anitta, 26, no Carnaval do Rio.

  • Especialista em sexualidade conta quais são as 5 principais dúvidas de sexo
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    Marcela De Mingo

    Especialista em sexualidade conta quais são as 5 principais dúvidas de sexo

    Conversamos com um especialista em sexualidade para sanar as suas dúvidas de sexo e tirar o tabu sobre o assunto

  • Frio e tempo seco? Veja como melhorar o aspecto da sua pele
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    Frio e tempo seco? Veja como melhorar o aspecto da sua pele

    A maquiadora Jú Rakoza ensina quatro dicas infalíveis para blindar a pele durante os dias frios e secos do inverno.

  • Secretário especial de Cultura deixa cargo e diz que governo tenta impor censura
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    Secretário especial de Cultura deixa cargo e diz que governo tenta impor censura

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após a suspensão de um edital de projetos LGBT para TVs públicas, o Secretário especial de Cultura, Henrique Pires, anunciou que deixará o cargo por não admitir que o governo imponha "filtros" na cultura.  Pires comunicou o ministro Osmar Terra (Cidadania), a quem a secretaria é vinculada, sobre sua saída na noite de terça-feira (20). Em rápida conversa com a reportagem no Palácio do Planalto, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, negou que haja censura.  "Não foi censura, eu estou aqui para resolver isso porque estava com problemas de trabalho", disse o ministro, acrescentando que uma nota deve ser divulgada por sua pasta ainda nesta quarta-feira (21). As informações divergem do relato feito por Pires à Folha de S.Paulo. Segundo ele, a suspensão do edital foi apenas a "gota d'água" de uma série de tentativas do governo de impor censura em atividades culturais.  Ele disse que há oito meses vem dando contornar diversas tentativas de censura. "Ficou muito claro que eu estou desafinado com ele [Terra] e com o presidente sobre liberdade de expressão", disse o secretário. "Eu não admito que a cultura possa ter filtros, então, como estou desafinado, saio eu". O secretário disse ter mantido uma conversa amigável com Terra na noite de terça (20), durante a qual comunicou sua saída. "Nós precisamos pacificar o Brasil para trabalhar, e tem gente que não está preocupada, como se não tivéssemos 13 milhões de desempregados e [a gente] precisasse ficar olhando com lupa um filme para ver se tem um homem pelado beijando outro homem." Pires disse que fundamentou todo seu trabalho no artigo 220 da Constituição Federal, se pautando sobre a liberdade de expressão e lembrou que recentemente o STF concluiu julgamento que prevê homofobia como crime.  "Eu não estou saindo contra ninguém, estou saindo a favor da liberdade de expressão", disse. "Ou eu me manifesto e caio fora, ou estarei sendo conivente". Alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em sua última live semanal, veiculada na quinta passada (15), um edital de chamamento de projetos para TVs públicas que tinha entre as categorias de investimento séries com temática LGBT foi suspenso. Uma portaria assinada pelo Ministro da Cidadania Osmar Terra publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta quarta (21) oficializou a decisão. Na live, o presidente havia criticado quatro projetos de séries aprovados para a última fase do concurso e inscritos nas seções de diversidade de gênero e sexualidade. Eram eles "Afronte", "Transversais", "Religare Queer" e "Sexo Reverso". Caso aprovados por uma comissão especial, os projetos seriam contemplados com verbas de R$ 400 mil a R$ 800 mil cada um, oriundas do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). O caso acontece depois de uma série de declarações em que Bolsonaro promete intervir no teor das produções financiadas por meio da Agência Nacional do Audiovisual, a Ancine, seja criando um filtro ou tirando o FSA do controle da agência, entre outros. Na live, ele chegou a afirmar que se o órgão "não tivesse, em sua cabeça toda, mandatos", ele já teria "degolado tudo".

  • Tony Ramos afirma que 'Selva de Pedra' é um clássico que discute a 'pequenez humana'
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    Tony Ramos afirma que 'Selva de Pedra' é um clássico que discute a 'pequenez humana'

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Trinta e três anos depois de ir ao ar na Globo, "Selva de Pedra" (1986) será reprisada pela primeira vez. O canal Viva exibe a partir desta quinta-feira (22), às 14h30, a segunda versão da novela de Janete Clair (1925-1983). A trama entra no lugar de "Terra Nostra" (1999).  No remake, Tony Ramos e Fernanda Torres formam o casal protagonista: Cristiano Vilhena e Simone -papéis que foram interpretados originalmente por Francisco Cuoco e Regina Duarte, em 1972.  Para Ramos, o folhetim tem todos os ingredientes de uma história clássica e que consegue despertar a atenção do público. "Dramaturgia tem que ter conflito. Se você olhar o 'Rei Lear', de Shakespeare, tem conflito, tem amor, tem paixão, suspense, morte, traições. Isso é o que move, o que mantém o espectador atento." Na trama, o mocinho vivido por Tony Ramos está longe do convencional. Cristiano é um homem de origem simples, mas muito ambicioso, que não mede esforços para conquistar um lugar na sociedade. "Ele queria crescer economicamente, mas de uma forma em que ele só pensava no poder e no dinheiro, entrando em total conflito com o pai, vivido pelo grande ator Sebastião Vasconcelos [1927-2013]", lembra.  No início da novela, Cristiano mora com a família na cidade fictícia de Duas Barras, no interior do Rio de Janeiro, e se envolve em uma briga com Gastão Neves (Marcelo Ibrahim). Na confusão, Neves acaba morrendo vítima de sua própria faca Com medo de ser punido por um crime que não cometeu, Cristiano foge para o Rio na companhia de Simone, a única pessoa que testemunhou a briga e que pode provar a sua inocência. Na cidade, eles se apaixonam e se casam. O mocinho, porém, conhece Fernanda, personagem interpretada por Christiane Torloni, que acaba se apaixonando por ele. Influenciado pelo mau-caráter Miro (Miguel Falabella), ele vê na mulher rica e bonita a oportunidade de ascender socialmente.  Na visão de Ramos, essa trajetória do personagem que, inicialmente, parece ser um tradicional galã romântico, de "bons princípios", mas que, no fundo, usa uma mulher rica como trampolim social, denota o conflito interno vivido pelo personagem e as contradições que são comuns aos seres humanos. "['Selva de Pedra'] é atemporal. Ela discute a ganância, o poder, discute a pequenez humana."  Miro decide "ajudar" o amigo e planeja a morte de Simone. O vilão persegue o carro da mocinha, que sofre um acidente grave e é declarada como morta. Se sentindo culpado, na hora de se casar com Fernanda, Cristiano volta atrás e a abandona no altar. A mocinha, no entanto, não morreu e retorna à trama com outra identidade: a artista plástica Rosana Reis.  Na primeira versão de "Selva de Pedra", de 1972, para marcar a mudança da personagem e não ser reconhecida, Regina Duarte usou uma peruca loira. Já no remake, Fernanda Torres muda o penteado e aparece com lentes de contato azul. Quando alguém dizia que nos ensaios de que determinada cena era "rocambolesca", lembra Tony Ramos, Janete Clair falava: "Não, filho, não diga isso. A vida é tão acachapante. Quando a gente coloca na dramaturgia, a gente acha que aquilo não existe. Eu, na verdade, estou falando de ganância e poder que só existe na vida real". "Aquilo calava a mesa como a verdade absoluta, porque era de fato. A ficção romantiza, pode criar situações rocambolescas de suspense, mas baseada em fatos e histórias reais e que transformam a dramaturgia em algo palpitante, em algo novo", afirma Ramos. A primeira versão de "Selva de Pedra" entrou para a história como a novela que conquistou 100% de índice de audiência em São Paulo e no Rio de Janeiro, segundo o colunista e crítico de TV, Nilson Xavier. Foi no capítulo 152, quando Rosana Reis admitia a sua verdadeira identidade para Cristiano. Tony Ramos lembra que Daniel Filho quis fazer o remake da trama 14 anos depois por uma questão comercial. A novela de 1972 foi gravada em preto e branco, o que impedia a sua venda para outros países. "E não deu outra. Nunca vou me esquecer de que fui parado no aeroporto de Fiumicino, em Roma, com pessoas indo me falar da novela. A novela viajou o mundo."  De fato, o remake foi vendido para países como Chile, Espanha, Equador, Grécia, Itália, Uruguai e Venezuela.Diretor em 1972, Walter Avancini dirigiu os 20 primeiros capítulos do remake, sendo substituído por Daniel Filho, que também era o supervisor da novela, e depois por Dennis Carvalho, que assumiu a direção-geral. A segunda versão teve como autores Regina Braga e Eloy Araújo. "Se daqui dez anos, algum diretor da TV Globo, falar 'vamos dar uma releitura à 'Selva de Pedra', eu afirmo a você que será um grande sucesso", aposta Tony Ramos.  DE MOCINHA A VILÃ Depois de fazer um grande sucesso como a mimada e divertida Jô Penteado, a mocinha de "A Gata Comeu" (Globo, 1985), Christiane Torloni, com então 29 anos, foi escalada para interpretar a vilã de "Selva de Pedra", Fernanda, papel vivido na primeira versão por Dina Sfat (1938-1989). "Foi uma composição muito interessante, porque é uma personagem que tem uma rachadura na alma. Ela sofre aquele trauma de ser abandonada no altar, o que é um gatilho para todo um distúrbio emocional que vai só aumentando", afirma. No fim da trama, Fernanda enlouquece.  Torloni lembra que perdeu 10 kg para fazer o papel, que foi "um desafio enorme em todos os sentidos". Ela destaca também o figurino da vilã, que começa mais leve e em cores claras, e termina em tons mais escuros. Fernanda chega a se casar de preto com Caio, personagem de José Mayer.   A atriz conta também que fez uma releitura da Fernanda apresentada por Dina Sfat em 1972. "Tive vontade de homenageá-la, porque era uma coisa moderníssima para a época." Ela destaca ainda a parceria com a atriz Beth Goulart, que fez o papel de Cíntia, irmã de Caio. A censura, aliás, determinou a reformulação de algumas cenas em que as duas contracenavam juntas, porque sugeriam um relacionamento amoroso entre as personagens. Após ser abandonada por Cristiano, Fernanda se alia ao mau-caráter Miro com o objetivo de separar Simone e Cristiano. "A gente aprontava para caramba", lembra Torloni. Ao interpretar o vilão, Miguel Falabella foi outro destaque da trama de 1986. Diferentemente de Carlos Vereza que, em 1972 fez uma versão de Miro mais sombria e gótica, o ator teve o desafio de fazer algo completamente diferente, já que o diretor Avancini queria um Miro solar e alegre, segundo o site Memória Globo. A aposta deu certo e o bordão "nhé-nhé" caiu nas graças do público. Com Vereza, o bordão conhecido era "amizadinha".  Para Torloni, com a reprise, será interessante ver como a obra de Janete Clair vai chegar ao público, mais de 30 anos depois. "É muito legal essa reprise. Existem gerações que precisam ver o que já foi feito, com muito menos recurso. Em um momento em que a memória do nosso país está sendo recontada em outras versões, é importante guardar a história da nossa dramaturgia", conclui.

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    Programação da TV Aberta desta quinta-feira

    REDE TV! 5h IURD 8h30 Te Peguei 9h Hugshnet 9h30 Você na TV 10h45 Edu Guedes e Você 12h Olga 13h IURD 15h A Tarde É Sua 17h IURD 18h Tricotando 19h Papo de Bola 19h25 Rede TV News! 20h30 IURD 21h30 TV Fama 22h45 Sensacional 0h Leitura Dinâmica 0h30 Te Peguei 3h Igreja da Graça, No seu Lar GAZETA 6h Igreja Universal do Reino de Deus 7h Gazeta Shopping 10h30 Revista da Cidade 12h Você Bonita 13h30 Cozinha Amiga 15h Mulheres 18h Gazeta Esportiva 19h Jornal da Gazeta 20h Igreja Universal do Reino de Deus 22h Cozinha Amiga 22h30 Você Bonita 23h30 Gazeta Shopping BAND 5h Café com Jornal 7h Bora SP 9h Aqui na Band 11h Jogo Aberto 13h Os Donos da Bola 14h10 Melhor da Tarde com Catia Fonseca 16h Brasil Urgente 19h20 Jornal da Band 20h20 Ouro Verde 21h10 Religioso 22h Band.com 22h45 "A Tumba do Dragão" 0h20 Jornal da Noite 1h10 Quem Fim Levou? 1h15 Senhor dos Céus 2h Jogo Aberto 3h45 +Info

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    Programação da TV Aberta desta quinta-feira

    CULTURA 5h30 Telecurso 6h Fábulas Tortas 6h05 Ada & Rói 6h15 Inglês com Música 6h30 Cultura Regional 7h Peppa Pig 7h10 Carlos 7h30 Bubu e as Corujinhas 7h45 Quintal da Cultura/Faixa de Desenhos 12h30 Os Under-undergrounds 12h45 Turma da Mônica 13h Jornal da Cultura 13h45 Sésamo 14h15 Bubu e as Corujinhas 14h30 Quintal da Cultura/Faixa de Desenhos 17h Turma da Mônica 17h15 Winx Club 17h45 Valentins 18h15 Momento Papo de Mãe 18h30 Eu Sou Frank 19h15 Camarote 21 19h45 Vitrine Brasil 20h15 Cartão Verde 20h45 Metrópolis 21h15 Jornal da Cultura 22h15 Shakespeare Revelado 23h15 Opinião Nacional 23h45 Manos e Minas 0h45 Sr. Brasil 1h45 Contos da Meia-Noite 2h Jornal da Cultura 3h Saúde Brasil 3h30 Direções 4h30 Cultura Retrô 5h História da Arte no Brasil SBT 4h Primeiro Impacto 10h30 Bom Dia & Cia 15h Fofocalizando 16h Casos de Família 17h15 A que Não Podia Amar 18h Milagres de Nossa Senhora 18h45 A Dona 19h45 SBT Brasil 20h25 Roda a Roda Jequiti 20h50 As Aventuras de Poliana 21h30 Cúmplices de Um Resgate 22h15 Programa do Ratinho 23h15 A Praça É Nossa 0h45 The Noite com Danilo Gentili 1h45 Roda a Roda Jequiti 2h30 Operação Mesquita 3h15 SBT Brasil - reprise GLOBO 4h Hora Um 6h Bom Dia SP 8h Bom Dia Brasil 9h Mais Você 10h30 Encontro com Fátima Bernardes 12h SPTV 12h45 Globo Esporte 13h20 Jornal Hoje 14h "Tudo e Todas as Coisas" 15h40 O Álbum da Grande Família 16h30 Vale a Pena Ver de Novo - Por Amor 17h50 Malhação 18h20 Órfãos da Terra 19h10 SPTV 2 19h31 Bom Sucesso 20h30 Jornal Nacional 21h20 A Dona do Pedaço 22h20 The Voice Brasil 23h40 Lady Night 0h20 Jornal da Globo 1h10 Conversa com Bial 1h50 Mentes Criminosas 2h40 "Sorria, Você Está Sendo Filmado" RECORD 5h Balanço Geral 7h SP no Ar 8h55 Fala Brasil 10h Hoje em Dia 12h Balanço Geral 15h Bela, a Feia 15h45 Caminhos do Coração 16h45 Cidade Alerta 19h50 Topíssima 20h45 O Rico e Lázaro 21h30 Jornal da Record 22h30 Duelo dos Confeiteiros 0h Série CSI NY 0h45 Programação Iurdi

  • Gêmeos de Irmãos à Obra anunciam programa com famosos e dizem recusar reformas fora da TV
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    Gêmeos de Irmãos à Obra anunciam programa com famosos e dizem recusar reformas fora da TV

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Não falta trabalho na vida dos irmãos Drew e Jonathan Scott, mais conhecidos como os Irmãos à Obra, do Discovery Home & Health. Além de serem donos de uma enorme franquia de produções, eles trabalham em cerca de 45 casas por ano para seu programa, e este portfólio de trabalhos está prestes a aumentar.  Os dois anunciaram nesta quarta-feira (21), em evento em São Paulo, que estão preparando um programa divertido com "grandes celebridades" para 2020, mas não divulgaram nomes ou especificaram se será um novo seriado ou um episódio especial, como costumam fazer. A ideia é que essas celebridades os ajudem em reformas. No dia a dia, os dois não têm a mesma oportunidade de trabalhar com famosos ou mesmo com desconhecidos. "Nós não trabalhamos mais com clientes fora do programa (...) Fomos procurados por celebridades que querem renovar suas casas, bem como amigos nossos, e já aceitamos alguns pedidos, mas não temos esse tempo e, na realidade, prefiro ajudar pessoas que não poderiam fazer isso se não fosse pela série, pelo dinheiro", diz Drew. Jonathan revelou que até um príncipe em Dubai já pediu a ajuda deles em uma reforma de US$ 1 milhão (cerca de R$ 4 milhões) em um palácio, mas que eles não puderam aceitar. Os Irmãos à Obra estão de passagem pelo Brasil, pela primeira vez, para divulgar a oitava temporada de seu programa no Discovery Home & Health, que estreia nesta quinta-feira (22) às 20h35. Eles disseram estar surpresos com a recepção e a energia dos fãs brasileiros. "Ninguém nos recebe tão calorosamente como no Brasil. Mesmo nas redes sociais. São Paulo tem sido nosso maior crescimento de audiência, maior que Nova York e Los Angeles", conta Drew, que diz que os paulistas são os mais engajados em seu perfil no Instagram. "É incrível ter essa base de fãs tão grande". "Nosso avião pousou, tinham fãs esperando. Fomos para o hotel, tinham fãs esperando. Hoje acordei e chequei se tinham fãs no banheiro", brinca Jonathan.  Na terça-feira (20), os irmãos falaram para uma legião de mulheres e alguns homens apaixonados por decoração e reforma de casas em dois encontros no Credicard Hall, em São Paulo. Na ocasião, eles fizeram um show de mágica, dançaram e sugeriram filmar episódios no Brasil. Segundo Drew, os dois já fizeram até uma proposta ao Discovery Home & Health para filmar uma temporada aqui, mesmo que seja uma mais curta. "Adoraríamos filmar no Brasil", diz Jonathan, que cita como maior desafio encontrar equipes de construção grandes e todos os materiais necessários. "É um trabalho de dois anos". Mesmo assim, os dois não descartam a ideia e demonstram interesse em voltar para conhecer outras partes do Brasil. Inclusive, elogiaram a dublagem deles no seriado. "Soamos muito mais sexy em português do que na vida real". BASTIDORES E ASSÉDIO Os irmãos revelaram que há muito nos bastidores que não é mostrado nos programas. Drew contou que Jonathan, por exemplo, é constantemente assediado pelas esposas que participam do programa. Eles também contaram algumas curiosidades, como quando quebraram uma casa e encontraram uma cobra viva. "Se fosse no Brasil, acho que seria uma capivara", disse Drew. O irmão, que já esteve no reality americano Dancing With the Stars, revelou ainda que já fez aulas de dança com a noiva, que também está no Brasil. A cada novo país que visitam, diz ele, o casal busca por alguém que os ensine alguma dança típica local. Uma das maiores audiências do Discovery Home & Health, com 18 milhões de espectadores mensais, o Irmãos à Obra orienta há seis anos a reforma de imóveis antigos para que sejam vendidos pelo melhor preço, e busca por novos lares para os participantes. A vinda dos irmãos ao Brasil foi motivada por oito milhões de internautas que pediram pela visita por meio de redes sociais. Depois de São Paulo, Drew e Jonathan Scott vão para a Cidade do México, Santiago, Buenos Aires e Bogotá. Anteriormente, o Discovery Home & Health já trouxe o chef americano Buddy Valastro ao Brasil.

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    Redação Vida e Estilo

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  • Novas temporadas de 'Elite' e 'Grey's Anatomy' chegam à Netflix em setembro
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    Novas temporadas de 'Elite' e 'Grey's Anatomy' chegam à Netflix em setembro

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Como acontece periodicamente, novos filmes e séries entrarão no catálogo da Netflix no mês de setembro. Entre as novidades estão a segunda temporada da série original "Elite" e as mais recentes temporada das badaladas "Grey's Anatomy" e "Como Defender um Assassino".  Essas duas últimas serão as primeiras a serem disponibilizadas pelo serviço de streaming, já no dia 1º de setembro -15ª temporada de "Grey's" e a quinta de "Como Defender um Assassino". Já "Elite", que mostra os conflitos de três jovens da periferia que entram em um colégio conceituado, ganha novos episódios a partir do dia 6.  Séries já consagradas e bem conhecidas do público também aparecem com novidade na Netflix em setembro: a sexta temporada de "Lista Negra" estreia no dia 21; a quarta parte de "Supergirl" chega à plataforma no dia 24; e a quarta temporada de "DC's Legends of Tomorrow", no dia 30.  Entre os filmes, chegam ao serviço de streaming o clássico adolescente "Meninas Malvadas" e o longa de ação "Capitão América 2 - O Soldado Invernal" (em 1º/09), além dos thriller "Inferno" (15/09) e "Fragmentado" (23/09) e dos romances "Diário de uma Paixão" (1º/09) e "Cinquenta Tons Mais Escuros" (09/09). A Netflix divulgou também uma lista de filmes infantis, que inclui "Carros" e a sequência "Procurando Nemo" e "Procurando Dory", que serão disponibilizados no dia 1º de setembro. Já entre os documentários estão "O Código Bill Gates", sobre a vida do co-fundador da Microsoft, e o culinário "The Chef Show: Volume 2".